sexta-feira, 13 de junho de 2014

INTOXICAÇÕES DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS

Monofluoracetato de sódio
         É um praguicida ilegal originado das plantas, os animais podem intoxicar-se pela ingestão das plantas que contêm esse agente. A Panaceia sp. popularmente conhecida como Acácia, como erva do rato, muitos países tem essa planta como nativas, sendo comuns as intoxicações de animais com essas substâncias.
         Plantas que contem essas substâncias devem ser arrancadas dos pastos para que os animais não tenham acesso a essa planta, nem se alimentar delas. A DL50 dessa substância é muito baixa inferior a 0,025mg/kg. A maior parte das intoxicações acontece com a substância refinada e purificada e vendida nos mercados de forma ilegal.
         No nordeste onde a planta não é comum, os derivados desta planta são comercializados de forma ilegal com o objetivo de matar ratos. Porém é um dos piores raticidas que existe, pois os ratos são muito inteligentes e rapidamente compreende que ao comer essa substância ocorre intoxicações e morte.
         Excepcionalmente ocorrem intoxicações por via oral, porém outras vias como as mucosas anal, genital e conjuntiva podem ser vias de intoxicação. Nem sempre os ratos comem esse produto, eles podem carregar para outros locais contaminando outros ambientes e outros animais terem acessos a essa substância sendo também intoxicados. Existem relatos que até as moscas podem transportar quantidade suficiente para causar uma intoxicação, dada essas informações, justifica sua proibição de uso. Essa substância não possui nenhuma seletividade e intoxica todas as espécies que entraram em contato com esse agente.
         Depois de ingerido esse agente é rapidamente absorvido no estômago, mesmo sendo o estômago uma região que dificilmente realiza absorção, esse agente é rapidamente absorvido e em pouco tempo, cerca de 5 minutos está totalmente absorvido, matando o animal em torno de meia hora.
         Um dos fatores que complicam os casos de intoxicações é a supersodagem, pois as pessoas geralmente não coloca isca para um rato de 200g e sim quantidade para um animal de 200 ou 300 kg. Dada essa superdosagem os animais que entram em contato acabam morrendo em menor tempo que o esperado.
         Esses produtos são vendidos clandestinamente como iscas para ratos, geralmente vem em líquido sem rótulo por se tratar de algo clandestino e as pessoas utilizam em pequenas porções geralmente num conta gotas sobre algum alimento para ratos. Vetores mecânicos que levam da isca contaminada para outro lugar pode ser suficiente para matar.

Mecanismo de Ação do Monofluoracetato
         O mecanismo de ação desta droga ocorre a nível intracelular e se liga ao oxalacetato, substância responsável no ciclo de Krebs para a formação de ATP. Essa ligação no oxalacetato da origem ao fluoracitrato que compete com a enzima aconitase, esta por sua vez é responsável por atuar no mecanismo do citrato, desta maneira, o essa enzima não consegue se ligar ao citrato inibindo sua ação no mecanismo da cadeia respiratória.
         Esse mecanismo interfere na produção de ATP e AMP consequentemente na respiração celular. Ocorre em todas as células de todos os sistemas. O monofluoracetato age em todos os sistemas, em torno de meia hora todas as células do organismo são comprometidas.
         Todos os sinais de todos os sistemas são observados, porém em maior evidência os sinais neurológicos, pois as pessoas se compadecem mais pelos sinais neurológicos por ser mais evidente. Mas há lesões generalizadas em todos os sistemas, apresentando taquicardia, dispneia, graves diarreias, graves quadros de vômitos, salivação exagerada, graves contrações musculares, graves convulsões, intensos tremores, delírios graves, cólicas graves, dores abdominais graves.
         Esses sintomas clínicos manifestam de uma forma muito grave e rápida, então esse tipo de intoxicação é superaguda, condição quase letal, a Raiva é a doença mais letal do mundo, mas ninguém diz que é totalmente letal, pois, existem casos de pessoas que se recuperaram desse tipo de patologia. Na maioria das vezes o animal morre sem o profissional conseguir aplicar todo o tratamento necessário, normalmente quando um veterinário atende esse paciente o animal morre antes das drogas administradas fazerem algum efeito.
         Realizar êmese rápida e entrar com outros procedimentos rápidos, pois mesmo que venha vomitar grande quantidade do produto é necessário lembrar que a quantidade que o animal ingeriu é capaz de matar mais de 100 vezes o peso do animal.
         O Monofluoracetato possui um processo de bioacumulação, mais um dos motivos pelo qual este produto ter sido proibido seu uso, a bioacumulação é quando um fármaco ou agente tóxico possui capacidade de se bioacumular na cadeia alimentar, desta maneira se o gato comer um rato envenenado o gato irá intoxicar-se pois, o rato não metabolizou o produto ao ponto de torná-lo inerte, isso se chama de bioacumulação, alguém que tem acesso aquele organismo contaminado poderá também ser intoxicado.
         A bioacumulação é diferente de biomagnificação, que é a capacidade que a droga tem da medida que a cadeia alimentar vai subindo o metabólito é mais tóxico que a droga primária, porém, esse processo não é característico do monofluoracetato.
         O fato dos animais morrerem rapidamente contribui para esse processo de bioacumulação, pois a rapidez da morte não proporciona a metabolização desse agente, ficando ativos no organismo do rato, tanto que se um cão ou um gato comer esse rato morto provavelmente sofrerá uma intoxicação.
         É considerado um produto pouco eficaz como raticida, não pela capacidade de matar, pois já se viu que o monofluoracetato (erva do rato, milrato, 1080) mata quase que instantaneamente, o problema é que o rato liga a morte rápida do colega dele ao alimento que ele comeu e não mais come essa isca. Os raticidas que matam depois de algum tempo de ingerido são os mais eficazes, pois o rato envenenado quando começa a sentir os sintomas se isola e se esconde até morrer, sendo assim os demais ratos não fazem a ligação da sua morte com o alimento que ele ingeriu.
         As intoxicações com o monofluoracetato se não tiver o histórico do uso do produto não é possível identificar através de exames a presença do agente tóxico, não se isola a substância nem o metabólito, no sangue, na urina, nem no TGI. Alguns autores diz que se deve analisar a quantidade de citrato no sangue, mas não é definitivo, pois este parâmetro pode estar alterado por diversos outros motivos.
         Tratamento
         Não existe antídoto, além de muito grave a intoxicação, não existe nenhum tipo de antídoto para esse tipo de agente, sendo assim a terapia não é específica. As terapias sintomáticas e de apoio caso de tempo, são os indicados, mas é importante lembrar que o agente tóxico age de forma muito aguda e rápida, porém são pouco eficazes.
         Se realizar êmese ou lavagem Gástrica ainda sim se deve lembrar que vai ficar alguma quantidade suficiente tóxica e ainda há quantidade já absorvida. Por exemplo, o animal possui sintomas convulsivos, neste caso é necessário utilizar um anticonvulsivante, mas o medicamento necessita de pelo menos 5 minutos para ter início de sua ação. O anticonvulsivante mais potente que se tem é o Tiopental (anestésico), porém, de alto risco e necessitam de um tempo médio de ação mas sendo muito utilizado nesses casos, mesmo sendo um medicamento de alto risco.
         Esse agente causa grave acidose metabólica, febre altíssima, sendo necessária utilização de fluídos com lactato ou bicabornato, fluidos frios para reduzir essa temperatura, potentes analgésicos (opióides como: Metadona 0,2 a 0,5mg/kg [] 10mg e Butorfanol 0,1 a 0,5mg/kg em Cão e Gato []10mg) anti arrítmicos, como o propanolol (2,5 mg/kg),  o melhor anti arrítmico nesses casos extremamente graves, é a utilização da lidocaína sem vasoconstritor (taxa de infusão de 200μg/kg/min [] 10mg).
         Uso de diurético como a furosemida, (3 a 5 mg, []10mg/ml). Evitar o uso da Atropina nos casos de salivação excessiva, pois pode causar uma taquicardia.

Intoxicação por Organoclorados
         Grupo de drogas praguicidas que também foi largamente utilizado, mas hoje em dia é de uso proibido, os organoclorados foram os que deram origem aos praguicidas orgânicos, não pelo fato de deixar de fazer algum mal, mas por ter uma forma química compatível com substâncias orgânicas, eram utilizadas como piolhicidas e também como praguicidas, como no combate ao mosquito da febre amarela, malária etc. Com o tempo com o uso dessas substâncias as pessoas começaram a ficar doentes pelo uso prolongado desses produtos.
         Os organoclorados provocam bioacumulação e biomagnificação, sendo algo terrível, possui grande afinidade por tecido adiposo, ficando durante meses ou anos. É eliminado no leite dos animais, pode ser encontrado na carne e em cada produto da cadeia alimentar o organoclorado é cada vez mais tóxico. Ultrapassa todas as barreiras sem dificuldade podendo afetar os filhotes.
         A probabilidade de intoxicar um animal é menor com os organoclorados e também não possui antídoto. As intoxicações por organoclorados ocorrem por todas as vias, Tópica, aérea, oral, transmucosas, atravessando todas as barreiras sem dificuldades, depositando em grandes quantidades no tecido adiposo. Animais de produção e seus produtos todos são contaminados com esse agente, não sendo neutralizada essa molécula, ficando seus subprodutos com altos níveis de organoclorados, possui alta estabilidade química sendo a mais difícil de ser degradada dentre os praguicidas existentes.
         Os organoclorados:
Derivados clorados do etano: DDT (Dicloro-Difenil-Tricloroetano) Metoxicloro, pertano, clorobenzilato e dicofol.
Ciclodienos: Clordano, (Toxicloro, octacloro), aldrin ( taleno), dieldrin, Heptacloro, endosulfano, endrin.
Cicloexanos: BHC (Hexaclorociclo-hexano), Mixex, lindano, toxafeno.
         São absorvidos nas mucosas e rapidamente distribuídos, mecanismo de ação pouco esclarecido, mas existem quatro hipóteses do seu mecanismo de ação, uma delas é a interferência nos canais de K, pois se sabe que há o aumento da permeabilidade desse íon através do canal, segunda hipótese é a inibição da enzima k+ Na+ ATPase e da da enzima Ca+ Mg+ATPase, terceira hipótese é a interferência na Calmodulina importante no transporte dos íons de cálcio importante na liberação dos neurotransmissores e quarta hipótese é que agem competitivamente pelo GABA.
         Intoxicações agudas por organoclorados e forma crônica mais comum, normalmente se apresenta os sinais neurológico pelo fato de a droga agir sobre os canais de K, sódio e potássio, GABA e Calmodulina que são basicamente responsáveis pela polarização e despolarização das membranas.
         Os sintomas de intoxicações agudas são, descordernação, letargia, contrações exageradas, fraquezas musculares, dificuldade de ficar em pé, flacidez etc. As intoxicações em fêmeas prenhes podem levar a aborto ou não, as fêmeas podem ter filhotes com problemas de ordem neurológica.
         Na forma crônica pode haver os mais diversos sintomas, esses sintomas só aparecem concomitantes a doença que ele tiver, principalmente por ser uma droga cancerígena e teratogênica.
         Método de diagnóstico, verificar a utilização do produto, se existe sintomas clínicos compatíveis, pois é difícil fazer um diagnóstico definitivo, pode-se isolar o princípio ativo do tecido gorduroso, do tecido cerebral, porém isso não é fácil e muito caro, alguns métodos de cromatografia podem chegar a um diagnostico definitivo.
         O tratamento consiste nos sintomas, pois não possui antídoto, terapia sintomática e de apoio, e se houver recuperação lembrar-se da bioacumulação que o produto faz, que poderá trazer algum malefício para o animal no futuro.
  
Organofosforado e Carbamatos
         Organofosforados: Coumafós, Aloxon, Triclofon, Fention, Malation, Clorfenvinfós, Clorpirifofós.
Carbamatos: Aldicarb, Propoxur (proibido), carbofuran, carbaril (furadan), Fenoxicarbe, metomil.
Utilizados como inseticidas, carrapaticidas e piolhicidas, fungicidas, e alguns possuem propriedades sarnicidas.
         Ambos são bastante lipossolúveis e se comparados aos organoclorados possui algumas característica bastante semelhante, como por exemplo, a lipossolubilidade. São drogas que atravessam as barreiras com muita facilidade, sendo possível as vias de intoxicações a oral, via aérea, via tópica e por não ter um odor característico, muitas vezes as pessoas não se atentam a esse detalhe não toma os devidos cuidados com esse tipo de agente.
         São rapidamente absorvidas e também rapidamente distribuídas, dependendo da via a intoxicação, pois na via inalatória a área de absorção é bem maior, seguia pela oral e tópica e cerca de 30 min. a uma hora o animal começa a apresentar os sintomas.
         Drogas lipossolúveis tem a característica de atravessas as barreias de forma muito rápida e provocar sinais neurológicos. E neste caso o sistema nervoso periférico também é afetado e o sistema colinérgico ou SNA parassimpático que é o principal modo de ação destas drogas. Sua ação se da na fenda sináptica e agem inibindo a acetilcolinesterase, responsável pela quebra ou degradação da acetilcolina, o neurotransmissor que ativa a despolarização das membranas neuronais. Desta maneira ocorre o acúmulo de acetilcolina na fenda sináptica e uma intensa despolarização das membranas.
         A diferença entre os organofosforados e carbamatos é que este primeiro se liga a acetilcolinesterase no sítio esterásico da enzima através de uma ligação covalente ou ligação irreversível, já os carbamatos se liga de forma reversível a essa enzima.
         Esse detalhe torna-se importante na segurança que a  droga vai apresentar, pois os carbamatos vai ser mais seguros de serem utilizados que os organofosforados por essa ligação se desfazer de uma forma rápida, sendo assim a ação da droga é mais rápida no contexto de recuperação do paciente do quadro de intoxicação.
         Clinicamente esse animal vai apresentar sintomas referente a ação parassimpática. Predomina no TGI muitos receptores α2 adrenérgicos, ocorre salivação excessiva,  diarreias, vômitos, no trato respiratório ocorre dispneia, taquipnéia, depressão respiratória, contrações musculares exageradas, convulsões graves, sinais cardiovasculares, principalmente compensatórios por causa dos sinais de alteração no sistema respiratório.
         A morte geralmente ocorre por uma paralisia espástica, por conta do índice de contração exagerada e parada respiratória.
         O diagnóstico pode ser feito  através do histórico com o uso dos produtos, a análise da acetilcolina esterásica sérica no sangue pode ser uma forma de pressupor a intoxicação. Porém se faz em quite de espectofotometria que se executa por ex 500 testes que deve ser analisada no máximo em 6 horas. É um dado a mais, porém, pode estar alterada em casos de estresses, não sendo um diagnostico definitivo.  Não existe como isolar a droga na urina ou no sangue, talvez encontrar o produto no vômito ou diarréia antes de ser absorvido pode ser um método de diagnóstico.
         As intoxicações por organofosforados ou carbamatos ocorrem geralmente nas formas agudas ou superagudas dependendo da quantidade ingerida e a sensibilidade do paciente, pela via oral ou aérea, a indução de vômito neste caso dificilmente serão necessários, pois os sintomas são constituído pelo próprio vômito.
         A menos que a pessoa tenha observado o animal engolindo imediatamente o agente, recomenda-se a indução do vômito, do contrário não se aplica, pois, quando se observa os sintomas significa que o animal absorveu a maior parte do produto. O mesmo não se aplica para a via tópica, mesmo que o animal apresente os sinais clínicos, deve realizar o banho do animal sem no entanto massagear, utilizando os métodos descritos para intoxicações por via tópica.
         Não existe antídoto, porém, utiliza-se como fármaco para reversão a atropina, que é um antimuscarínico este por sua vez, compete pelos receptores da acetilcolina, age no neurônio pós-sináptico a Atropina compete pelo sítio de ação de acetilcolina. É necessário avaliar se ela pode ser utilizada prestando atenção, se o animal possui taquicardia ela não pode ser utilizada, se tiver uma bradcardia ou tiver em um grau de normalidade pode ser utilizada, já que ela acelera os batimentos cardíacos.
         Sinais clínicos:
         Broncodilatação, miose, sialorreia, náuseas, vômito, expectoração, sudorese, incontinência urinária, cólicas abdominais, diarreia, bradicardia. (taquicardia, hipertensão, fasciculação, tremores, fraqueza muscular e/ou paralisia flacidol), os resultantes dos efeitos no sistema nervoso central (ansiedade,agitação, tontura,  ataxia, prostração, confusão mental, perda de memória, labilidade emocional, fraqueza generalizada, depressão do centro respiratório, convulsões e coma)
         Tratamento:
         Lavagem gástrica, se tiver conhecimento prévio da intoxicação em até duas horas, administração de carvão ativado, xarope de ipeca para induzir a êmese (se for visto a ingestão) em pacientes alertas e conscientes. A terapia com carvão ativado deve permanecer por 12 horas nas intoxicações por carbamatos e 48 horas por intoxicações com organofosforados por conta do seu ciclo entero-hepático.
         Em casos de contato com os olhos lavagem abundante por aproximadamente 15 minutos.
         Administrar sulfato de atropina na dose de 0,2 a 0,5 mg/kg sendo que ¼ da dose deve ser administrada pela via intravenosa e o restante intramuscular ou subcutânea. Sempre preferir administrar a dose mínima, pois pode necessitar de reaplicações, cuidado com ruminantes, pois a administração de atropina pode provocar atonia ruminal.
         Em intoxicações por organofosforados, podem ser utilizada as Oximas reativadores da colinesterase, Pralidoxima ou 2-PAM (contrathion) dose de 15 a 40mg/kg IV ou IM. [200mg]. As oximas são agentes capazes de remover os organofosforados da acetilcolinesterase.
         Nunca utilizar as oximas em intoxicações por carbamatos, pois pode piorar o caso de intoxicações. Em casos de Convulsões, benzodiazepínicos na dose de 0,5 a 1,0 mg/kg
Intoxicações por Piretróides
         Mecanismo de ação se dá pela permeabilidade iônica dos canais de sódio nas membranas nervosas, os piretróides demonstrou que prolongam a aberturas desses canais iônicos.
         Ação na enzima Ca+Mg+ ATPpase, que  atua no processo de despolarização da membrana.
         Não corre antagonismo nos piretróides do tipo I sobre os receptores benzodiazepínicos!
Ação também no sistema GABAérgico.
         Outro local de ação nos receptores benzodiazepínicos, antagonizando esses receptores, essas ações ocorrem na intoxicação por piretróides do tipo II. Quando existe predominância deste mecanismo, o animal tende a ficar muito mais letárgico e tende a morrer por paralisia flácida.
         Animais que se intoxicam com os piretróides do tipo I eles apresentam convulsões paralisia espástica e tremores.
         Quanto o animal se intoxica por piretróides do tipo II e predomina a ação dos receptores benzodiazepínicos, tem os sintomas que chamam de síndrome CS que é uma coreotetose ou uma lesão dos gânglios basais.
         Se fizer uma busca nas drogas que tem no mercado de modo geral há a associação de dois piretróides o tipo I e II, sendo assim as intoxicações serão por essas duas drogas, com a apresentação dos dois tipos de sintomas mais a paralisia espástica e a inibição dos receptores benzodiazepínicos. Mas os piretróides possuem outros mecanismos envolvidos e não só os receptores benzodiazepínicos a tendência e que o profissional atenda os animal com a síndrome do Tremor, que nada mais é d0 que todos os sintomas de intoxicação que envolve tremores, excitabilidade convulsões, muito mais característicos do piretróide do tipo I, o tipo II também tem esse mecanismo.
         Este agente possui um mecanismo a mais, que é ação sobre os receptores benzodiazepínicos. Clinicamente o animal apresenta uma intoxicação por piretróide, pois quando se tem o tipo I ou tipo II os sintomas são muito semelhantes, e clinicamente não é possível diferenciar por qual agente foi intoxicado. Dificilmente o animal vai aparecer na clínica com sintomas de paralisia flácida, vai ser atendido mesmo um animal com paralisia espástica, com convulsões, salivação pela lesão dos gânglios basais.
         Clinicamente o animal vai apresentar dor de cabeça, encefalite, quadros de encefalite, são por conta de intoxicação, salivação excessiva, tremores, vômitos, diarreias. Animais que se intoxicam pela via tópica, apresenta um prurido, vermelhidão na região de contato.
         Por conta do problema neurológico acentuado, há alterações em outros sistemas, como taquicardia, taquipinéia, dispnéia, são sinais e sintomas de animais que estão intoxicados.
Diagnóstico:
         Consiste na história clínica e uso desse tipo de agente no ambiente, por não ser de compra proibida as pessoas tende a usar sem restrições, usando em todos os tipos de lugares, baias, ambientes, e muitas vezes sem o devido cuidado.
         Dificilmente se isola esses produtos nas secreções, porém, na urina pode ser encontrado alguns metabólitos, pouco comum, mas na intoxicação tópica o agente tem um cheiro, então no caso de intoxicação por esse piretróide o profissional consegue sentir o cheiro da droga no corpo do animal,  cheirar o animal faz parte do exame clínico, cheiro nenhum dá diagnóstico, mas é um achado importante que pode levar a um diagnóstico.
         Não possui antídoto, mas nas embalagens, colocam como antídoto os corticoides, mas este medicamento não se trata de antídoto, sabe-se que esse agente diminui a quantidade de enzimas que destrói as células nas lesões etc. contribuindo para a restauração celular, mas não é um antídoto.
         Não é recomendado induzir a êmese nesse tipo de intoxicação, pois se trata de um agente que irrita as mucosas, mas cada caso precisa ser analisado.
         Gatos não pode ter contato com piretróide de jeito nenhum, na verdade não existe nenhuma droga que ele possa utilizar com segurança.
Tratamento:
Não existe tratamento específico, deve-se realizar toda terapia sintomática e de apoio para eliminar essas substâncias e recuperar o paciente.
Como prevenção utilizar esses produtos com cautela, de forma adequada, é o mais eficaz inseticida e mais utilizado praguicida do mundo.

Varfarin ou anticoagulantes e derivados

         Chamado de praguicidas anti-coagulantes (cumarínicos ou varfarínicos) é utilizado como raticidas e vampiricidas. Os equinos são resistentes as intoxicações por Varfarina, porém se intoxicasse por esse agente ou morreria pela droga ou pelo tratamento, que provoca nessa espécie muitas reações. Precisam de doses altíssimas para intoxicar, assim como as aves.
         A toxicidade do varfarim depende da quantidade de Vitamina K armazenada, quanto maior a reserva, maior o tempo para o animal apresentar os sintomas de intoxicação. Outro detalhe são os pacientes propensos a hemorragias, doenças hepáticas, doenças renais, febres altas, o animal fica propenso a coagulação intravascular disseminada, uso de drogas que tem alta afinidade por proteínas plasmáticas, que favorecem as hemorragias, como por exemplo, os AINEs como AAS,
         A via de intoxicação desses produtos é somente a via oral, a via tópica e inalatória não influenciam na toxicidade, são absorvidas no intestino e muitas vezes quando os proprietários relatam esse tipo de intoxicação, fica mais fácil do profissional induzir o vômito e reverter o quadro.
         É uma intoxicação que o profissional tem tempo para trabalhar para reverter o quadro, pois demora a ação do medicamento, mas isso quando a pessoa vê o animal ingerindo o agente tóxico. Diferentemente de uma intoxicação por chumbinho (ldicarb, carbamato de uso proibido no Brasil) que o profissional deve largar tudo e tentar salvar o animal, se apegar a todos os santos, e mesmo assim o animal pode morrer.
         Essas drogas agem inibindo uma enzima chamada de epoxidoredutase, também chamada de vitamina k-redutase. O centro de ação dessa droga é na inibição da epoxidoredutase responsável pela síntese de vitamina K, sendo importante no processo de coagulação. Agem nos fatores II, VII, IX e X dependente da vitamina k. Esse fato impede a formação dos coágulos de sangue desencadeando graves hemorragias.
         A droga é absorvida no mesmo dia em que for ingerido, mas a inibição da enzima ocorre após algumas horas de ingestão. Como a vitamina K é sintetizada e armazenada ou ingerida e armazenada os sintomas só irão aparecer quando toda  vitamina K tiver sido utilizada.
         O organismo demora aproximadamente 72h para utilizar toda a reserva de vitamina k e a partir daí começar a apresentar os sintomas, mas esse tempo pode ser inferior caso o animal apresente algum tipo de patologia anteriormente citada.
         Clinicamente o animal apresenta petéquias, hemorragias, epistaxe, sendo necessário diferenciar de anaplasma, babésias, para não confundir o diagnostico. Pode aparecer outros sinais como dispéia, taquipneia, taquicardia, hipotensão, mucosas cianosadas hipocoradas, convulsões, desmaios, síncopes, resultado das hemorragias.          Geralmente como alguns desses produtos possuem um corante muito forte, alguns animais podem apresentar manchas de coloração semelhante na pele, manchas rosas, verdes, azuis, mas, nem sempre isso acontece. Há alguns exames laboratoriais capazes de detectar esse tipo de intoxicação, porém são muito caros, pode ainda usar de exames histopatológicos com fragmento de rins, fígado e TGI, mas teste simples para tempo de coagulação, são suficiente para entrar com a terapia. Esse teste simples consiste na perfuração de com uma agulha de alguma região, e observar o tempo que leva a parar o sangramento, se não parar de sangrar entra com a terapia.
         Tratamento
         O tratamento consiste na administração da vitamina K, que teoricamente não é antídoto, mas corrige o problema e acaba por levar o nome de antídoto, muitos praguicidas está escrito que a vitamina k é um antídoto. É uma terapia extremamente eficaz, funciona mesmo, o problema do equino é a sua alta sensibilidade a vitamina k1 que é a necessária a ser administrada nesses tipos de intoxicações, o animal apresenta um choque anafilático na administração dessa vitamina, mas como os equinos são altamente resistente a este tipo de intoxicações, não é necessário. Os demais animais podem administrar essa vitamina, mas eles também podem apresentar reações a esse agente.
         Não se deve administrar esse medicamento só quando os sintomas aparecerem, mas sim quando souber do caso de intoxicação, isso evita que os sinais apareçam e tornem-se mais difíceis de se controlar. Então mantêm os níveis de vitamina K no paciente até que se elimine todo o agente tóxico do organismo.
         Varia na dose de 1 a 10mg/kg por cada 24h, dependendo da gravidade da intoxicação pode ser subcutâneo ou intramuscular, não pode ser IV, pois existem livros que indicam, mas pode provocar reação grave. Não é necessário aplicar corticoide para evitar reação anafilática, mas caso apresente esse tipo de reação recomenda-se o seu uso.
         Se o animal não apresenta sintomas, a fluidoterapia pode ser realizada pela via oral, convencer o dono a administrar 3x ou mais durante o dia, usar do poder de convencimento, mas se for muito grave realizar a fluido intravenosa.
         Em casos de hemorragias graves, utilizar de hematoterapia, sangue fresco total, pois tem todos os fatores de coagulação capaz de reverter o quadro. Utilize o hematócrito para realizar o cálculo, caso o hematócrito esteja normal e não de diferença, faça o cálculo considerando o Máximo que o animal poderá receber, 6 a 20 ml/kg. A velocidade da fluido utilizar o parâmetro de sempre, 3 x o valor da manutenção.
Intoxicações por Amitraz
         É uma substância muito conhecida e largamente utilizada em veterinária para terapia em carrapatos, pulgas, piolhos. E que causas intoxicações em diversas espécies, é do grupo das formamidinas. É uma substância que se administra em formas de soluções para aspersão, imersão, mas existe em formas de coleiras. Produto de uso tópico, mas que pode intoxicar pela via aérea ou absorção por via tópica, por sua característica lipofílica, mesmo em pele íntegra.
         Quando se trata de carrapatos piolhos e sarnas, ocorrem intoxicações por mau uso ou doses exageradas. A via oral é uma via, mas esse agente sofre ações do suco gástrico sendo inativado até mais que os piretróides. É necessário ser diluída para ser administrado nos animais e na maioria das vezes as diluições são erradas.
         Todas as espécies são sensíveis a intoxicações por amitraz. Na maioria das vezes são intoxicações acidentais. De todas as espécies a espécie equina é a mais sensível a esse agente, sendo proibida a utilização neste animal.
         É rapidamente absorvido pela via tópica e rapidamente distribuído. Alguns livros tratam a intoxicação por drogas in MAO (monoaminas oxidases) utilizadas como antidepressivos. Essas enzimas, são responsáveis pela degradação das catecolaminas, (adrenalina, noradrenalina), por isso diz que o amitraz age no sistema nervoso simpático.
         A inibição das monoaminas oxidase significa na quantidade de catecolamina na fenda sináptica. Desta maneira existem sistemas mais sensíveis a esses neurotransmissores, especialmente o sistema cardiovascular que tem ação maior dessas substâncias. Nos grandes vasos tem uma vasodilatação por conta dos receptores beta adrenérgicos, que tem predominância nos de grande calibre e na área mais periférica predominância dos receptores alfa adrenérgicos e já que existe predominância desses receptores haverá uma vasocronstrição.
         No trato gastrintestinal tem predominância dos receptores alfa adrenérgico, por isso que existe uma redução nos movimentos intestinais e redução do aporte sanguíneo nessa região. Por este motivo é contraindicado amitraz em equinos já que estes são muito sensíveis a problemas de cólicas.
         Os animais acabam desenvolvendo graves cólicas podendo vir a óbito. Isso não significa dizer que as demais espécies não venham apresentar esse tipo de problema, pois podem apresentar os mesmos sintomas clínicos como uma parada do TGI. Esses agentes não agem somente nas monoaminas, mas também nos canais de potássio, inibe os canais de cloro, sódio e potássio, interferem com as substancia P, importante em todo o TGI para o movimento peristáltico, importante no processo de neurotransmissão a sua inibição traz consequências cardiovasculares, neurológicas, gástricas etc.
         Há sintomas clínicos cardiovasculares graves, quadros de hipotensão graves, sincopes, quadros GTI graves que se observa em maior facilidade, se controlar os sinais gastrintestinais normalmente consegue salvar o animal. Há uma parada do trato intestinal, principalmente do intestino com produção de gases e uma distensão abdominal levando a dores abdominais intensas, que o animal chega a rolar no chão de dores.
         Não tem diarreia, por causa da parada do intestino, e também não tem vômito. Não é uma droga que se faz diagnóstico fácil, é necessário a história e sintomas clínicos, nesse caso os proprietários não escondem que utilizou o produto, porque não imagina que o uso deste tenha sido incorreto. Toda intoxicação provoca leucocitose, por causa da interferência no processo inflamatório por causa da substancia P, mas não é um achado determinante da intoxicação por este agente. Não existe um achado laboratorial que se possa afirmar. O exame clínico bem feito já é capaz de identificar a intoxicação.
         O cheiro do amitraz na pele, já induz o uso tópico. Todos os metabólitos do amitraz são inativos e passam por metabolização no fígado, mão realizam bioacumulação nem biomagnificação.
         Tratamento:
Possui antídoto, a Ioimbina 0,5 mg/kg cão IV e 0,25mg p/ gato e Atipemazole, são dois antagonistas desse agente por atuar de forma competitiva pelos receptores que o amitraz faz efeito.
Utilizar a fluidoterapia, não utilizar atropina, mesmo que o animal apresente secreções salivações excessivas, pois diminui todas as secreções gastrintestinais piorando o quadro. Em alguns momentos o pacientes tem bradcardia e arritmia. Se for utilizar um analgésico, utilizar sozinho sem buscopam que provoca redução dos movimentos peristálticos.
         Não utilizar xilazina para induzir a êmese, pois potencializa as intoxicações por amitraz.
         Realizar todos os procedimentos necessários para as intoxicações que julgar necessário. Alguns pontos fundamentais é fazer que as funções gástricas volte ao normal, ter diarreia.
         O uso de laxantes é extremamente importante, neste caso o uso de laxante não é com o intuito de impedir a absorção, e sim para promover o transito intestinal. É uma terapia sintomática. Manter o animal em diarreia até 48h que é o tempo necessário para a maioria dos animais não apresentar mais os sintomas clínicos de intoxicação. O Banho é importante na situação de intoxicação por via tópica.
         Não utilizar glicose nem soluções glicosadas, pois o amitraz inibe a produção de insulina, nem utilizar antitóxico rico em dextrose.
         Pode ser utilizado insulina nesses casos, porém, como as intoxicações são agudas as vezes a reversão do quadro e mais rápida que a necessidade de terapia com insulina nesses animais. A própria glicose é diurético e seus níveis elevados associado a fluido promovem uma diurese que regula esses níveis séricos de glicose no sangue.

         Como a maioria das intoxicações ocorrem por via tópica, os banhos são indispensáveis, porém deve-se tomar cuidado, pois as crises de hipotensão e hipotermia podem contribuir para ao óbito do animal, deve ser realizado com cautela.

domingo, 9 de março de 2014

ANEMIA HIPOPROLIFERATIVA - ERITROPOESE REDUZIDA

Depressão ou anemia hipoproliferativa,  eritropoese reduzida ou ineficaz

Estes quadros, costumam ser casos graves para se tratar. (apresentando maior dificuldade no tratamento) exceção feita aos quadros onde a deficiência proteica de natureza exclusiva seria um fator primário, nos casos de doença renal crônica consta-se que se não há eritropoietina as células percussoras da medula óssea não vão começar o processo de divisão, consequentemente não povoar a corrente circulatória. 
Nas doenças renais crônicas, além da eritropoietina os animais tem uma perda proteica renal de natureza significativa, pois este órgão possui a responsabilidade de reabsorver proteínas que por acaso escape. 
Na insuficiência renal crônica, este processo se altera e ocorre uma perda proteica significativa, tanto é que o quadro mais grave de doença renal é um processo que se chama síndrome necrótica, que invariavelmente esta associado a doenças renais, uma perca de proteína muito grande pela urina. 
A Inflamação crônica também é um processo bastante complicado, exemplo (caso clínico) um animal que tem artrose no joelho, vai desenvolver uma depressão ou anemia hipoproliferativa? Ele vai desenvolver uma aplasia medular por conta da inflamação que ele teve no joelho? 
Resposta. É uma área muito pequena, existem mediadores da inflamação sendo produzidos só que é somente no joelho, este animal por exemplo não tem peritonite, não tem pleurite, não tem uma gastroenterite grave, quanto maior uma superfície de contato inflamada, consequentemente maiores serão os mediadores inflamatórios.
(relembrando as células tronco), as células tronco sobre efeitos das interleucinas, citocinas  entre outras e eritropoietina, ou ela vai seguir a linhagem eritróide (hemácias) ou leucoide (neutrófilos, mastócitos, basofilos, etc). O que regula a produção das células inflamatórias (neutrófilos, basófilos, monócitos, plasmócito) são os mediadores inflamatórios.
Então se existe uma célula que vai da origem a todas as outras, e estas células estão sendo bombardeadas por uma grande produção de interleucinas, fator de necrose tumoral, oxido nitroso, outros mediadores da infamação, qual a atitude do organismo sobre esses estímulos? Elas vão se transformar em um eritrócito ou em um leucócito? A resposta é em leucócitos, pois é suma importância lembrar que processos inflamatórios crônicos que são tratados porém não resolvidos, ou até mesmo que não são tratados e que possuem grandes extensões necessariamente precisam dessas células de defesa para controlar esse processo, inflamatório ou infeccioso.
Por exemplo (caso clinico) Um bovino com uma pericardite traumática, que ingeriu um prego, perfurou o diafragma perfurou o pericárdio ou o coração, e que por sua vez contaminou a cavidade abdominal, a cavidade pleural, e este processo evoluiu 1 mês e meio, até o proprietário ver a gravidade do problema e chamar o veterinário. 
Este animal está com um quadro anêmico bastante sério, porque ele apresenta pleura inflamada, pulmões inflamados, intestino inflamado, quando verifica-se a dosagem de células vermelhas deste animal estão em uma quantidade muito baixa, junto a isso o animal não consegue ter uma boa alimentação, pois ele vai ter relutância em se movimentar  e que se continuar neste ritmo sem intervenções a situação tende a piorar.

*Lesões na Medula Óssea, processos de radiação, químicos  (ex: samambaia) são agentes que atuam sobre as células precursoras, e destrói as células providas da medula óssea. 
Na leucemia, é administrado quimioterápicos que atuam nas fases primordiais da divisão celular com o intuito de eliminar todas as células que compõe a medula óssea que alberga, neste caso de leucemia, as células com defeitos, e depois da erradicação destas células cancerosas é administrado um fármaco que estimule  a medula óssea para tentar compensar, e produzir células novamente, porém, células saudáveis.

Se um animal apresentar em seus exames uma anemia, após sofrer um trauma (atropelado, cortou-se), deve se associar a anemia devido a perda. Outro exemplo é animal com histórico de carrapateamento  intenso e no seu exame apresenta anemia, deve se associar a destruição das hemácias (hemobartonela) ou outro protozoário,  no caso de uma lesão na medula óssea,  é constatado anemia que deve ser associado a uma redução na sua produção etc. 

Jamais se da o diagnostico apenas pelo exame hemograma, e sim acompanhado do histórico deste animal.
(caso clinico) chegou um hemograma de um Pitt Bull que teve um emagrecimento progressivo, histórico de carrapateamento, relutância em comer. Foi medicada com derivados de tetraciclina, prednisona e suplemento. No primeiro exame deste, constata inclusões basofílicas no interior dos eritrócitos. Foi tratado mas não surgiu resultados. Ele chegou com um total de hemácias:

2,5x1 (elevado a 6) sendo que o normal é:   5,5 até 8,5 x 10 (elevado a 6)
Hematocrito estava 15% onde o normal seria não inferior 33 à 40%
A hemoglobina estava com um valor baixo do normal
Volume corpuscular médio apresenta células de tamanho normal.
Concentração de hemoglobina corpuscular média estava normal.

Quando foi feita a avaliação das mucosas, nota-se que estavam pálidas, na mucosa oral encontra se feridas, restos de secreção na boca, e esse animal veio com resultado de ureia 400 miligramas por decilitros. Quando o normal é 25mg/dL, Creatina 4 quando o normal seria de 1,5.

Temos um quadro de lesão renal, o cão estava extremamente desidratado, devido estar a mais de um mês. Não é possível afirmar que é somente um quadro anêmico, o tratamento anterior já estava suspenso, quando é realizado a colheita do sangue, este tem um aspecto de sangue de carne descongelada, super ralo. 

A tetraciclina é um antibiótico da classe de antibacterianos bacteriostático, que não vai matar a bactéria, e sim vai reduzir a sua proliferação, então ela vai persistir no organismo por mais que não se reproduza. Mas se este animal encontra-se com a imunidade comprometida não haverá efeitos satisfatórios no tratamento.
Sabe-se que os corticoides reduz a produção de células brancas, então por que é dado ao cão um antibiótico que não mata a bactéria, e ofereço um suplemento?
Foi causado neste individuo um quadro de infecção crônica. Provavelmente que a lesão renal é irreversível onde então a produção de eritropoietina  se esgotou, e o animal está com um quadro anêmico... 
não tem como compensar, a não ser que submeta a uma hemodiálise, hidratação, uma boa alimentação. Sempre uma lesão renal ira vir acompanhada de um quadro anêmico, anemia de lesão renal é classificada normocítica normocrômica  o tamanho da célula esta normal, e a quantidade de hemoglobina esta normal. A medula só não produz célula sanguíneas, por ausência da eritropetina, essa anemia chama-se de anemia hipoproliferativa, porque não tem quem estimule a medula óssea. 
Diferente daquelas anemias onde as hemácias foram consumidas. 

Quanto ao resultado deste diagnostico, não se sabe ao certo, pois não se tem informação do que este animal tinha antes, só sabe que este animal tem uma insuficiência renal. Este animal receberá fluidoterapia com 5% de glicose que é um antidiurético osmótico que não vai sobrecarregar os rins, a medida que a diálise for feita, faz se um exame renal, se o quadro de lesão renal persistir, associa-se a outros medicamentos (dopamina) e precursores dos transitórios de nitrogênio, que vão otimizar a captação de nitrogênio, se isso não funcionar, tende se fazer a hemodiálise, que na medicina veterinária, é algo extremamente novo, e caro.

quinta-feira, 6 de março de 2014

ENSILAGEM E FENAÇÃO


1. INTRODUÇÃO

            O Brasil é um país com grande capacidade de produção de derivados de origem animal, possui uma grande extensão territorial, alta incidência solar e períodos de chuvas relativamente constantes nas diversas regiões que proporcionam ao setor agropecuário, alternativas capazes de driblar falta de alimentos para criação de animais nos períodos de estiagem.  A produção de forragem e sua otimização para a alimentação do rebanho, é uma realidade que tem sido recorrente e importante, ao levar em consideração a estacionalidade dessa produção.  Grande parte dos pecuaristas utiliza o método extensivo de criação, porém, sofrem sérios prejuízos com períodos de estiagem e o fenômeno da safra e entressafra que eleva o valor da compra do alimento nesse período, encarecendo o produto final, perdendo então sua competitividade de mercado (EVANGELISTA, 2004).
            Com o intuito de minimizar esses problemas e, sobretudo fornecer aos animais alimentos durante esse período seco, desenvolveram-se técnicas de estocagem e conservação de forragens. Esse método consiste basicamente em realizar cortes do volumoso na época em que há uma grande disponibilidade de alimento, geralmente na época das chuvas, e armazená-los através da técnica de fenação ou ensilagem, para atravessar o período seco ou de estiagem (CASTRO, 2002).
            A maioria das forragens pode passar pelo processo de ensilagem sem perder suas composições nutritivas, porém, algumas apresentam características ideais para serem utilizadas nesse processo, enquanto que aquelas forragens que possuem teor de matéria seca inferior a 21% e carboidratos solúveis inferiores a 2,2% pode concorrer à perda do alimento processado, haja vista que a fermentação, o apodrecimento do material, desenvolvimento de fungos, podem colocar em risco a qualidade e o valor nutritivo do feno e a integridade do mesmo. (PEREIRA & REIS, 2001).
  
2. FENAÇÃO

            Sendo considerado um dos melhores recursos para alimentação dos animais em períodos de estiagem e produto de escolha para os pecuaristas que desejam manter a produção de leite quanto de carne em períodos onde a oferta de alimento é escassa e pela facilidade do manejo. Os animais domésticos (Equinos, bovinos, ovinos, caprinos e bubalinos) particularmente apreciam o alimento, principalmente se este apresentar uma boa qualidade (ANDRADE, 1999). 
            O nordeste brasileiro assim como diversas regiões do Brasil, apresentam grande potencial para a produção de feno ao considerar a incidência solar, alta temperatura e baixa umidade relativa dor ar, (exceção feita às regiões litorâneas, Amazônia e também propriedades próximas às grandes barragens ou reservatórios de água, que possui alta umidade Relativa do ar (UR) que pode prejudicar a produção de feno), que constitui alternativas recomendáveis e que pode ser associada a programas de manejo de pastagens visando estocar o excedente de pasto produzido no período das chuvas (PEREIRA & REIS, 2001).
            Para manter o bom desenvolvimento dos animais no período seco fornecendo-lhe alimentos desidratados, como o feno, é indispensável que este seja de boa qualidade, porém, sabe-se que as pastagens disponíveis para essa técnica de armazenamento não contém em proporções ideais dos nutrientes necessários e essenciais capazes de suprir todos os requisitos nutricionais dos animais. Desta maneira é indispensável que o planejamento da fenação esteja embasado, principalmente, na qualidade da forragem que se deseja aplicar à técnica de fenação, esta, necessariamente precisa ter um alto valor nutritivo no período de chuvas/verão para posteriormente os animais usufruírem deste recurso alimentício durante o período seco que possui menor disponibilidade de forragens e consumir um feno de valor nutritivo equiparável à forragem de origem (EVANGELISTA et al, 2004).
            Por ser uma técnica versátil, a fenação ou conservação de forragens na forma de feno, tem se destacado por apresentar diversas vantagens, dentre as quais as pequenas alterações no seu valor nutritivo e por existir uma diversificada quantidade de espécies de forrageiras que podem ser utilizadas para esse princípio. Essa técnica pode ser utilizada por qualquer produtor e pode ser efetuada em grande ou pequena escala, dependendo da capacidade de produção da forrageira no período de chuvas e de seu armazenamento, pode ser fornecido aos animais de forma mecanizada ou não, dependendo da necessidade de cada propriedade.  O manejo correto das pastagens permite aproveitar os períodos em que as forrageiras estão em crescimento acelerado e realizar a fenação. As forragens indicadas para esse processo são as gramíneas que possuem uma produtividade relativamente elevada, alta qualidade nutritiva, e por apresentar características como área foliar grande, bem como maior número de folhas por planta e colmos finos que possibilita uma secagem uniforme. Devem apresentar resistência aos cortes, manejo facilitado para sua colheita e plantação. As espécies mais utilizadas são representadas pelo, Tifton, “coast-cross”, Gramão e também a área foliar da mandioca tem sido amplamente empregada na produção de feno entre outras.
            O princípio básico desta técnica é a conservação do valor nutritivo da forragem e também a sua palatabilidade, através da interferência na atividade respiratória, por meio da rápida desidratação da forragem e dos micro-organismos que ali residem. A secagem e o armazenamento associada às condições climáticas são fatores que influenciam diretamente na qualidade do feno produzido (ANDRADE, 1999).   
            Cavalcante (2004), elabora algumas regras básicas para realizar a fenação, alguns passos de suma importância que vão desde a escolha da espécie até o seu armazenamento, que influencia na qualidade do produto. Segundo a autora a escolha da espécie, deve estar relacionada à sua produtividade, qualidade e quantidade de nutrientes da planta, sua resistência aos cortes mecânicos ou manuais. Cita ainda o preparo do terreno para produção do feno, que se recomenda a destinação de uma determinada área somente para a produção do feno, ou ainda ao final das chuvas fazer cortes daquelas forragens que apresentam excedentes com o auxílio de roçadeiras.
            O ponto de corte sem dúvida é um requisito importante para manter a planta com vida, e conhecer a altura dos cortes de cada espécie pode evitar desperdício da forrageira que poderia ser colhida e também mantê-las vivas. Os capins de crescimento prostrado como Brachiaria, Cynodon, Digitaria, podem receber cortes a uma altura de 10 a 15 cm, plantas de crescimento ereto como Avena, Hyparrhenia, Panicum essa altura do corte varia em torno de 20 a 30 cm. As leguminosas, como a alfafa, utiliza-se 8 a 10 cm do nível do solo, visto que o segredo do corte dessa leguminosa é preservar a coroa desta planta (REIS, 2001).
            Recomenda-se a realização dos cortes pela manhã, após a secagem do orvalho, para que a forragem murche o mais rápido possível, e perca seu teor de umidade em um menor período de tempo. Há diversos mecanismos para realização do corte, pode ser de forma manual ou mecânica, a forma manual é recomendada desde que a quantidade de feno seja pequena, e poderá ser realizado com roçadeira costal motorizada, alfanje, ou motossegadeira manual. A forma mecânica de fenação é indicada para produção em quantidades grandes de feno, para isso usa-se a segadeira que realiza o corte da forrageira e o espalhar. A enleiragem é geralmente feita com ancinho. O processo de secagem também pode ser realizado de duas formas, a artesanal e a mecanizada, as forragens quando cortadas apresentam um teor de umidade de 75 a 85% que ao final de todo o processo esse índice deve diminuir para níveis inferiores a 20%. A uniformização da secagem e aceleração do processo pode ser realizada com a viragem da forragem cortada pelo menos duas vezes ao dia, o método artesanal utilizado para este processo é realizado com o auxílio de um garfo ou alguma ferramenta semelhante que produza o mesmo resultado.
            A forma mecanizada de secagem, o ancinho é utilizado na viragem da forragem, enleira-se a forragem que apresenta baixa umidade, e no dia seguinte após a evaporação do orvalho novamente realiza a viragem dessas leiras, tendo o cuidado de mantê-las sempre frouxas para permitir a circulação de ar em seu interior, e consequentemente melhor perda de umidade.
            Considera-se que o feno está no seu ponto ideal quando não há mais umidade nos entrenós dos caules das forragens. Alguns testes podem ser realizados apertando essas regiões dos entrenós e torcendo uma porção de forragem, e caso haja surgimento de água, recomenda-se secar por um período em que, após a realização novamente desse teste, não saia água do feno. Pode ocorrer de a forragem passar do ponto de feno ideal, e tornar-se quebradiça, isso ocorre pela secagem em excesso, se isto ocorrer o feno produzido terá uma qualidade inferior ao esperado. O armazenamento deve ser feito em local seco e fresco, sem incidência direta do sol, caso contrário poderá ocorrer perda do valor nutritivo, pode ser armazenado em fardos produzidos mecanicamente, através de equipamentos específicos, em sacos, ou realizar o enfardamento através de uma prensa artesanal que obtêm excelentes resultados. Ao final desse processo, o feno precisa apresentar um aspecto esverdeado, livres de fungos e odor agradável (ANDRADE, 1999).
3. ENSILAGEM
            Assim como a fenação, a ensilagem é um processo de conservação de forragens que visa ao final do processo a preservação das características nutritivas da planta utilizada, minimizando as perdas desses nutrientes até o consumo final desse alimento.           A conversão dos carboidratos solúveis em ácidos orgânicos através da ação dos microrganismos láticos é o ponto básico dessa técnica. Portanto, para que isso ocorra de forma eficiente, é necessário criar um ambiente anaeróbico que seja capaz de otimizar essa conversão, mantendo níveis de pH dentro dos limites necessários para produção da silagem. É importante tomar conhecimento que na forragem fresca cerca de 75 a 90% do nitrogênio total encontra-se na forma de proteína, que constitui os peptídeos, amidas, aminoácidos livres, clorofila e nucleotídeos, esse fato determina que aproximadamente 40 a 60% do nitrogênio proteico seja solubilizado em compostos nitrogenados não proteicos por intermédio de uma proteólise intensiva que ocorre durante a ensilagem. A redução do pH e o aumento do conteúdo de MS tem efeito direto na extensão da proteólise sofrida pela forragem,  sendo importante a diminuição do pH de forma rápida, principalmente em forragens que possui teores altos de proteínas, como exemplo a alfafa, cuja enzimas proteolíticas passam a ser inibidas assim que o pH tenha uma redução de 4,5 a 4,0. (PEREIRA, REIS, 2001)
            A fermentação secundária, poder tampão de algumas forragens, teor de matéria seca e carboidratos solúveis inferiores a 21 e 2,2% respectivamente, são fatores limitantes na produção da silagem e que necessariamente precisam da utilização de recursos capazes de modificar essa situação. A elaboração de uma silagem pode estar pautada em alguns cuidados capazes de fornecer ao produtor subsídios e conhecimento suficiente para produzir uma trincheira, um silo cincho, silo vertical, silo de superfície etc. com qualidade e armazená-la por muito tempo.
            Dentre esses cuidados destaca-se o planejamento de todas as etapas que precisam ser seguidas até o final do processo. A escolha da forrageira que esteja adaptada na região, obedecendo as recomendações técnicas para sua produção; o ponto de colheita da forragem utilizada, visando obter e armazenar a planta quando esta apresentar teores de matéria seca (MS) dentro dos padrões estabelecidos para a forragem; o enchimento e a compactação da silagem na trincheira, deve ser eficiente e o mais breve possível, visto que rapidamente a planta entra em processo de anaerobiose e fermentação levando a forragem a consumir e perder os nutrientes que se deseja armazenar; as superfícies expostas precisam ser vedadas com a utilização de material infiltrante, como plástico ou lona, permitindo a formação de um ambiente anaeróbico; caso seja necessário a utilização de aditivos para baixar o pH ou estimular o crescimento de bactérias anaeróbicas, fazê-lo racionalmente de acordo com suas recomendações evitando desperdício; e por fim, promover utilização da silagem, de forma eficiente e constante, retirando todas as vezes que aberto, camadas de no mínimo 15cm de silagem, que poderá evitar a fermentação e formação de locais com bolores, ou fungos (LIMA; MACIEL, 2004); (RODRIGUES, 2011).
            Diversas gramíneas podem ser utilizadas para a produção de silagem, sendo o milho, sorgo, cana de açúcar, as mais utilizadas. A vantagem do milho e do sorgo é sua grande adaptabilidade em diversos tipos de ambientes, alto teor de nutrientes, e a dispensa na utilização de aditivos ou pré-murchamento.
            A alta produção de matéria seca por hectares e capacidade de fornecer material energético para os animais, a cana-de-açúcar ocupa lugar de escolha da forragem para produção de silagem. Além destas, outras plantas são amplamente utilizadas como, Milheto, Girassol, Raiz e parte aérea da mandioca, Capim-elefante, Capins tropicais (Mombaça, Tanzânia, Marandu, entre outros).
            A preparação para o processo de ensilagem começa quando a forragem apresenta início de floração, realizada a colheita deste material, esta é triturada em fragmentos de 2 a 5 cm e colocada na trincheira, no silo cincho, silo vertical, silo de superfície, etc. sofrendo compactações em camadas de 20 a 25 cm, para retirada do ar. Esse processo poderá ser feito no local onde será ensilado ou no campo e posteriormente transportado ao local de seu armazenamento (LIMA; MACIEL, 2004). A compactação é o ponto chave para o sucesso da silagem, cerca de cinco pessoas, dependendo da extensão da trincheira ou do cincho, precisa caminhar sobre esses fragmentos de forragem realizando a sua compactação. Em grandes trincheiras, esse processo pode ser realizado com as rodas do trator utilizado pra espalhar a forragem, é importante ressaltar que o desenho do silo em forma de trincheira, sendo ela escavada ou não, deve possuir uma declividade no fundo, que facilite o escoamento do excesso de água da forragem para fora da trincheira; as paredes deve ter uma leve inclinação para fora, com um aspecto de “V” ou oblíqua.
            O cuidado com as paredes inclinadas proporciona uma melhor compactação nas laterais do silo, evitando que a forragem fique em contato com o ar ou apresentem bolsas de ar em seu interior e entre em processo de fermentação e venha desenvolver fungos nesses locais, ao término da compactação, é recomendado que a porção superior da silagem de trincheira tenha certo abaulamento da massa ensilada (NUSSIO, MANZANO, 1999).

4. REFERÊNCIAS:

ANDRADE, J.B. Produção de feno. Nova Odessa: Instituto de Zootecnia, 1999. 34p (Boletim Técnico, 44).
EVANGELISTA, A. R. et al. Produção de silagem de capim-marandu (Brachiaria  brizantha  Stapf   cv.  Marandu) com e sem emurchecimento. Ciênc. agrotec. [online]. 2004, vol.28, n.2, pp. 443-449. ISSN 1413-7054.
CASTRO, F. G. F. Uso do pré-emurchecimento, inoculante bacteriano-enzimático ou ácido propiônico na produção de silagem de Tifton 85 (Cynodon sp.). 2002. 136 f. Tese (Doutorado em Agronomia) - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Piracicaba, 2002.
CAVALCANTE, A. C. Feno de Gramíneas: Processo de Produção Passo a Passo. 2004, Disponível em: <http://www.nordesterural.com.br/nordesterural/matler.asp?newsId=517>. Acesso em: 19/02/2014
LIMA, G. F. da C.; AGUIAR, E. M. de.; MACIEL, F. C. et al. Secador solar  – A fábrica de feno para a agricultura familiar. In: Armazenamento de forragens para agricultura familiar. Natal: Empresa de Pesquisa Agropecuária d o Rio Grande do Norte, 2004, p.9-13.
NUSSIO, L. G.; MANZANO, R. P. Silagem de milho. In: SIMPÓSIO SOBRE NUTRIÇÃO DE BOVINOS: ALIMENTAÇÃO SUPLEMENTAR, Anais...Piracicaba: FEALQ, 1999. p. 27–46.
PEREIRA, J. R. A.; REIS, R. A. Produção e utilização de forragem pré-secada. In: SIMPÓSIO DE FORRAGICULTURA E PASTAGENS. TEMAS EM EVIDÊNCIA, 2., 2001, Lavras.  Anais... Lavras: UFLA, 2001. p. 235-254.
REIS, R. A., MOREIRA, A. L., PEDREIRA, M. S. Técnicas para produção e conservação de fenos de forrageiras de alta qualidade. In: SIMPÓSIO SOBRE PRODUÇÃO E UTILIZAÇÃO DE FORRAGENS CONSERVADAS. Anais...Maringá: UEM/CCA/DZO, 2001. 319P.
RODRIGUES, C. R, et al; Forragicultura:  Tecnologia  de  produção. In: 5º DIA DE  CAMPO  DO  GRUPO  DE  ESTUDO  E  PESQUISA  FORRAGICULTURA  E  PASTAGENS  NO MARANHÃO; Anais... Chapadinha: SEBRAE, 2011. 49p.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

FORMAS FARMACÊUTICAS OU PREPARAÇÃO MEDICAMENTOSA

INTRODUÇÃO

As fórmulas farmacêuticas também chamadas de formulações farmacêuticas são elaboradas com o intuito de facilitar a administração dos medicamentos.
na prescrição de um medicamento magistral (aqueles elaborados em farmácias de manipulação) o veterinário elabora uma fórmula farmacêutica contendo a quantidade de princípio ativo desejado e capaz de responder ao tratamento desejado por ele, porém, para prescrever algo dessa natureza o mesmo precisa ter conhecimentos sobre a farmacotécnica, para obter o máximo de resultado da nova formulação ao que se deseja tratar. 

Em geral uma fórmula farmacêutica é constituída de um ou mais princípios ativos, substância pela qual se obtêm o efeito desejado e uma base medicamentosa, que é a substância principal da formulação.

Adjuvantes 
São substâncias que auxiliam na preparação da formulação farmacêutica, podem ser representados por substâncias que ajudam na conservação, substância lubrificante, desagregante, antiaderente, estabilizante etc. essas substâncias devem ser inócuas e não provocar nenhum tipo de alteração na função dos princípios ativos.

Corretivos 
São substâncias que tornam a formulação mais agradável os constituintes de formulações orais. Exemplo dos edulcorantes e flavorizantes, que corrige o sabor e o odor dos medicamentos.

Veículo ou excipiente
É o meio no qual o princípio ativo é colocado sendo os termos empregados Veículo para líquidos e excipiente para sólidos. q.s.p significa quantidade suficiente para, referindo a quantidade que deve ser acrescentada para completar o volume ou massa desejada.

FORMA FARMACÊUTICA OU PREPARAÇÃO MEDICAMENTOSA

É  a forma como se apresenta os medicamentos para serem utilizados. uma mistura de substâncias adequadas para serem administrados com segurança e eficácia. É o estado final de uma preparação medicamentosa em que após um ou mais processos mecânicos os princípios ativos possuem determinada forma.

1- GARGARISMO

Formula líquida, utilizada por aspersão na cavidade oral, sem o objetivo de deglutição, deve-se tracionar a língua para fora e aspergir o líquido no interior da cavidade oral. è o mesmo procedimento do gargarejo humano.






2- COLUTÓRIO

Fórmula farmacêutica pastosa produzida geralmente com glicerina ou mel, aspecto xaroposo utilizado exclusivamente na cavidade oral, com o auxílio de uma espátula é colocada na língua do animal, e este se encarrega de espalhá-lo na boca, porém, sem intuito de deglutição.

3- PROVENDA


O medicamento é escondido no alimento, no caso de carnívoros, em pedaços de carnes, com a intenção do animal ingerir todo o medicamento.




4- SOPA OU BARBOTAGE

Feito com vegetais ou legumes (sopa) e farináceos (barbotage) cozido e após frio é oferecido aos animais com o medicamente, o mesmo é consumido pelo animal por vontade própria, sem ser forçado.


5- BEBIDA OU BERBERAGEM

Exemplo de berberagem


A bebida é oferecida espontaneamente para o animal em grandes quantidades de líquidos, cerca de 700 a 1000 ml para grandes animais, 200 a 500 ml para animais de médio porte, e de 50 a 100 ml para animais de pequeno porte. A berberagem é administrada por sonda.


6- POÇÃO



É uma fórmula líquida, oferecida em pequenas quantidades com o auxílio de uma colher ou seringa.








7- ELETUÁRIO

Fórmula pastosa, oferecida diretamente na boca do animal geralmente forçada, essa prática atualmente caiu em desuso sendo substituídas por maneiras mais eficientes de administração.

8- BOLO OU PÍLULA

Fórmula farmacêutica com um formato esférico semiduro. Bolo tem um peso de 0,5 a 4 g, utilizado em grandes animais. a Pílula tem um peso de 0,15 a 3 g para animais de pequeno porte. o termo bolus foi retomado a partir do uso de anti-helmíntico em ruminantes, esse fármaco fica envolto por um invólucro rígido que é liberado de forma lentamente no trato gastrintestinal dos animais.

9- GRÂNULO OU GLÓBULO

Tem um formato esférico e consistência rígida com um peso de 0,05 a 0,15 gramas.






10- CÁPSULA
Forma farmacêutica em que o conteúdo sólido encontra-se envolto por uma capa protetora de amido ou gelatina compostos de duas metades que se encaixam.


11- PÉROLA OU CÁPSULA MOLE

Constituída de uma capa protetora com uma única parte estando o conteúdo selado em seu interior. destina-se a armazenar formulas líquidas.




12- DRÁGEA

Medicamento é colocado dentro de um envoltório rígido de formato variável e geralmente brilhante que pode proteger o princípio ativo do pH estomacal, do odor e do sabor desagradável.






13- COMPRIMIDO

Geralmente adiciona-se amido ao princípio ativo, sendo este prensado, e moldado em comprimidos, que pode ter formas diversas, esse tipo de forma farmacêutica possui alguns milímetros de altura.


14- PASTILHA
Forma farmacêutica sólida destinada a mastigação em grandes animais, é moldada em diversas formas ou comprimida, pode ser flavorizada e mastigável.


15- PASTA
Forma farmacêutica semissólida, que possui uma elevada concentração de pós finamente dispersos que pode ser de 20 ate 60% deste conteúdo, sendo mais espessas que as pomadas e menos gordurosas.


16- PAPEL

Forma farmacêutica utilizada para armazenar grandes quantidades de medicamentos, na qual o mesmo é embalado na forma de papel cuja dobradura é realizada cuidadosamente pelo farmacêutico e destinado a apenas uma única administração e uma dose individual. esse tipo de forma farmacêutica permite o acondicionamento de volumes relativamente grandes deste medicamento.

17- POMADA

Preparação tópica monofásica na qual pode ser dispersada substâncias sólidas ou líquidas.









18- CREME

Preparação semissólida obtida através da emulsão de água/óleo ou óleo/água que pode conter um ou mais princípios ativos dispersos em seu interior.


19- GEL


Preparação semissólida que consiste na suspensão de pequenas partículas inorgânicas ou de grandes moléculas orgânicas entremeada por um líquido. 



20- CLISTER, CLISMA OU ENEMA

Preparação farmacêutica destinada a sua inserção no reto, com função de retenção (absorção pelo reto para via sistêmica) ou evacuação (promover defecação).



21- SUPOSITÓRIO
Preparação sólida de dose única que pode conter um ou mais princípios ativos e deve fundir-se a temperatura corporal ou dispersar em meio aquoso. o formato e o tamanho do supositório deve ser adequado para o reto.

22- VELA

Semelhante ao supositório porém com um tamanho de 5 a 7 cm para ser utilizada intrauterina.

23- ÓVULO

Preparação farmacêutica sólida com formato adequado para aplicação intravaginal devendo dispersar-se em temperatura corpórea.


24- COLÍRIO

Preparação farmacêutica líquida destinada a aplicação nos olhos e pálpebras.







25- XAROPE

Preparação aquosa caracterizada por sua viscosidade que apresenta não menos que 45% de sacarose e outros açúcares, geralmente adiciona-se flavorizantes em sua preparação.



26- ELIXIR

Preparação líquida límpida e hidroalcoólica com teor de 20 a 50% de álcool em sua preparação.



27- LOÇÃO

Preparação líquida e hidroalcoólica destinada ao uso externo através da aplicação sobre a pele.



28- EXTRATO
Preparação líquida, sólida ou semissólida a partir de vegetais secos, frescos ou animais, por meio extrator líquido e hidroalcoólico adequado com sua posterior evaporação total ou parcial seguido de ajuste na concentração previamente estabelecida.

29- EMULSÃO

Preparação farmacêutica obtida através da dispersão de substâncias líquidas imiscíveis ou praticamente imiscíveis entre si.





30- SUSPENSÃO

Dispersão de substâncias sólidas insolúvel ou praticamente insolúvel em uma fase líquida.









31- TINTURA E ALCOOLATURA

Formas que utilizam a ação solvente do álcool preparada com plantas secas (tinturas) e alcoolaturas preparadas com plantas frescas.

32- INJEÇÕES
Preparações estéreis destinadas a administração parenteral apresentadas como soluções, suspensão ou emulsões podem ser acondicionadas em ampolas, cartucho ou frascos para administração em dose única.







33- POUR-ON E SPOT-ON

Aplicação pour-on
Aplicação spot-on
Preparação farmacêutica que são depositadas no dorso do animal (pour-on) e na cernelha (spot-on)















34- PRÉ-MIX

Pré-mistura, que contêm  medicamento misturado a ração, geralmente é utilizado para administração de vitaminas.








Referências:

SPINOSA, H, S; GÓRNIAK, S. L; BERNARDI, M,  Farmacologia Aplicada a Medicina Veterinária, Guanabara Koogan, São Paulo 5ª ed, 824p.